quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Livre, sendo.

Eu gosto do gosto da solidão.

Confesso, me sinto livre dessa forma. Sumir por um período, sumir por dias. Enfim, ser só. Sem contato com o caos exterior. Tentando comunicar-me com o interior, o meu Eu. "Eu não sei, na verdade, quem eu sou" - proferiu um compositor. E, de suas palavras, me sinto dona pois, sobre mim, nenhuma verdade é dita.  Todas as linhas em meu rosto, todos as cicatrizes de minhas memórias, todo esse silêncio revelam minha pequenez diante do "ser". Sou o entrelinhas de minhas ações, sou a sutileza de minhas palavras. Não sou o todo. Sempre me falta o "ser". Para quê "sou"? Se ainda o sou!

Sobre o gramado recém molhado pela chuva que brandou sem receios, sobre meus fardos, configuro meu olhar para o céu, paradoxalmente, estrelado. Inundado pelo silêncio. Silêncio que, a mim, desejei por meses. Essa liberdade que me permiti sentir. Livre da senhora loucura disfarçada entre sussurros e delírios diante da multidão. Multidão reduzida ao nada. Ali estou só.

Ali eu sou. Sem compromissos: ali me fiz.

Posso sentir o brilho espelhado, pelas estrelas, em meu olhar. Posso sentir o arder de minhas emoções. Posso gritar o socorro que sempre pedi. O desespero de minhas decisões. De braços abertos, sinto. Sinto. Rodopiando, posso retirar de mim o que não sou. Arrancar a pele que me protege. Que não me deixa "ser". Que transforma meu "ser" em "querer".

Me sinto viva. Viva de mim. Cheia de "mins". O plural que sou. Longe de olhares desconfiados.  Dançando sem música. Livre. Sem rótulos, sem julgamentos pré-estabelecidos.

Ali sou.

Ali me fiz.



Amanda Laryssa


8 comentários:

Yasmin disse...

Essa questão de se encontrar me lembrou bastante o livro/filme Comer, Rezar e Amar. E sempre tenho essa vontade de ficar só comigo mesma pra ver se consigo respostar íntimas para dúvidas sobre mim mesma.
Recebi seu comentário no texto sobre o direito de estar triste, respondi-o lá, mas creio que o Blogger não notifique quando um comentário é respondido. Então vou responder por aqui também, por via das dúvidas, haha. Claro que pode postá-lo no Facebook, é só creditar com o link do blog, ou da Fanpage ou só meu nome mesmo, como você preferir. Inclusive agradeço pela divulgação ;)
Beijão

Mari Mari disse...

Odeio quando eu gosto tanto do texto que fico meio sem o que comentar rs
Simplesmente fantástico. E me identifiquei com a sua escrita, apesar de ser parte do grupo dos ""Eu não sei, na verdade, quem eu sou"" rs

Mayra Borges disse...

Esse lado da solidão que nos permite olhar além de nós mesmos e significar de forma infinita e "irresumível" todos os nossos silêncios e palavras, os sentimentos e o que mais temos por dentro, por fora e além.

Confesso que nunca me coloco em solidão porque sinto em mim há tantas outras, que sempre nunca me sinto só, mas às vezes me sinto livre. Troco a palavra solidão por liberdade.

Belo texto, não sei porque mas me deu uma enorme vontade de sair na chuva. hahaha

Beijos.
eraoutravezamor.blogspot.com

wendy disse...

É bom sentir-me compriendida mas estes não são pelos melhores motivos, espero tudo de bom e obrigada

Mari Mari disse...

Poste logo, menina! Saudades daqui.

Beatriz disse...

Me identifiquei totalmente. Acho que sou feita disso, desses silêncios, dessas buscas internas. Adoro a solidão, porque ela traz todas as respostas consigo ou as maiores dúvidas. E é reconfortante.
Não sei, sinceramente, fiquei sem palavras diante de tanta identificação.
Achei fantástico. Mesmo.
Beijos

Antônio LaCarne disse...

a solidão me preenche e me consome, e às vezes ela é megera. ;)

Rafhaella Bonadio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.