quinta-feira, 22 de setembro de 2011

21 de setembro

              Tudo parece um sonho. Sonho não, pesadelo. Acorda-se com a notícia. O impacto é forte. "Não acredito". Parece que estamos caindo em uma brincadeira, não é possível que isso seja verdade. A papelada é rígida e deve ser cumprida. Mas como atestar algo que ninguém esperava? Correria, choro, tristeza. A família está sendo avisada. Mesmo que cada um receba de maneira diferente, todos sentem um choque com tudo isso. "Mas como? Ele?"

             E veem as empresas funerárias, mas a ficha ainda não caiu. "Isso não pode está acontecendo. Ele estava ótimo ontem."-alguns dizem. Vejo seu corpo, parece apenas que esta em um sono, um sono profundo. Mas não.

             Começam os "pêsames". Agradecemos mas ainda não entendemos. "Por que?" E chegam mais conhecidos, muitos estão assustados, desnorteados. Uns conhecidos de infância, é ótimo vê-los mas nunca desejaria que fosse nessa situação. Não. Nunca pensei que houvesse "essa situação". A frieza ainda me consome, por mim estou em um sonho, e logo irei acordar. Mas isso não acontece. Vejo seus filhos, sua mulher. Inconsoláveis. "Foi tudo tão rápido". Tentamos colocar a culpa em alguém, mas não há. Ou há: sua saúde. Algumas músicas são cantadas, são oferecidas a ti. A sua paz eterna, ao seu descanso ao lado do Criador. Rezamos. Não é possível. A ficha vai caindo. Lembro de um dia. Você me vendo gripada, trouxe todos os sucos possíveis, me fez companhia. Acompanhou e ajudou a minha cura. E também estava comigo na alegria. Lembro de um comentário, você dizia que eu devia ser modelo. Tio coruja, você era. A tristeza vem chegado. "Não é possível. Esse final de semana iriamos nos encontrar, iriamos comemorar uma vitória recente da família." Lágrimas. A ficha cai mas não queremos acreditar. "Como vai ser agora? Uma reunião de família sem você?" Desabo. Não me controlo. Você fazia parte da minha rotina, e agora ela está incompleta. Tenho fé. Rezo pelo bem da sua alma. "Bem que eu queria que você vivesse mais" - afirma um trecho de uma música.

             Termina o dia. Você se foi. Minha família querida me consola. Nos consolamos. A noite chega, não há espaço para mais nada. Deito-me. Descanso. Não senti fome, apenas ainda não entendia. Adormeci. Um outro dia chega, o silêncio toma conta. Mesmo com a agitação do dia anterior, ainda queremos pensar que não se passou de um pesadelo. Meu pai solta: "Meu Deus, eu ainda não acredito." Não acreditamos. As obrigações de rotina voltam, é preciso seguir em frente. Mas ainda não nos acostumamos, não será fácil. Essa semana será longa, longa demais. Mas, só o tempo curará.

Armando Santos. Tio querido, Saudades. ♥




Amanda Laryssa


3 comentários:

Vanessa Sievers disse...

pensa que ele esta em um lugar melhor,olhando por você,com saudade de você.È dificl segurar a dor no peito,mas você vai conseguir.Melhoras para sua familia :*

Tamires CastroO disse...

Meus pêsames, sinto muito. Também perdi a minha avó faz um mês e é mesmo difícil cair a ficha, ainda mais quando eles estão bem e não numa cama de hospital. Deus vai ajuda-los a se conformar, seu tio deve estar em um ótimo lugar. *-*
Abraço.

Alinne Ferreira disse...

A linda, eu sinto muito. perder pessoas que amamos deve doer muito, alem do buraco imenso que fica no peito.